O que é cuidado centrado na pessoa

O que é cuidado centrado na pessoa?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a expectativa de vida está aumentando no mundo todo — mesmo nos países mais pobres. No entanto, desenvolvem diversas doenças e condições que, muitas vezes, requerem assistência médica durante anos. Quando tratadas, nem sempre têm conhecimento suficiente sobre o tratamento que recebem. O cuidado centrado na pessoa é o sistema que vai na contramão dessa prática.

O cuidado centrado na pessoa prevê que profissionais de saúde devem trabalhar colaborativamente com o paciente, construindo um tratamento que esteja adaptado às suas necessidades individuais. Isso deve ser feito com dignidade, compaixão e respeito. O conceito foi desenvolvido no início da década de 1980 e ainda pode ser considerado um método novo.

Quando os pacientes não são suficientemente informados sobre o cuidado que recebem, a eficiência do tratamento pode ser prejudicada. Pode ocorrer, por exemplo, a não adesão do paciente ou a não colaboração com o tratamento, gerando insucesso parcial, total ou até abandono. Isso porque a falta de conhecimento gera sensação de descaso no paciente, prejudicando diretamente a sua saúde.

Pontos negativos dos tratamentos não centrados na pessoa

Muitas vezes, quando profissionais de saúde realizam a pesquisa clínica de saúde do paciente, pedem diversos exames e medicam desnecessariamente. Como o profissional não tem todas as informações necessárias sobre a pessoa, inicia sua pesquisa clínica do estágio inicial, o que gera perda de tempo. Este é outro aspecto negativo do tratamento de saúde não centrado na pessoa.

O profissional de saúde poderia aproveitar o tempo de consulta para realizar um pré-diagnóstico favorável, medicar corretamente e solicitar os exames certos. Porém, quando o cuidado não é centrado no paciente, a pesquisa inicial pode ser muito pobre de informações, resultando em uma medicação possivelmente inadequada e em solicitações de exames em demasia.

O cuidado centrado na pessoa

No cuidado centrado na pessoa, o paciente é o foco principal do tratamento, e não a doença em si. O conceito transforma o paciente em um participante ativo, emponderando-o do seu estado de saúde. Assim, adquire conhecimento e discernimento sobre a importância dos acontecimentos que envolvem seu organismo.

Isso também é muito importante para o profissional de saúde, uma vez que não há nada mais produtivo em uma consulta do que colher informações vindas do próprio paciente. Quando isso ocorre, o tratamento é mais eficiente e aprimorado, já que será possível agir onde é necessário. Portanto, evita exames e prescrições desnecessárias e torna o tratamento mais humano.

A importância de um tratamento que envolva o paciente se dá pela relação entre conhecimento, discernimento, tomada de decisões e sentimentos envolvendo a pessoa e o profissional responsável. Tudo isso aumenta exponencialmente quando o paciente tem domínio de sua história clínica e conhece as condições do próprio organismo. Afinal, terá mais facilidade para compartilhar informações.

O discernimento está relacionado à capacidade do paciente de compreender seu estado de saúde, entendendo o que é certo e errado sobre sua conduta durante o tratamento. Isso também se relaciona diretamente aos seus sentimentos durante o período de cuidados.

Quando adoecemos, há quatro dimensões que influenciam o sucesso do tratamento: sentimentos, ideias, funcionamento e expectativas. Quando a pessoa se relaciona de forma positiva com o cuidado, sua recuperação é mais provável. Tal situação ocorre quando o doente confia no processo e conhece bem os fatos.

De acordo com um documento produzido pelo Nescon (Núcleo de Educação de Saúde Coletiva), da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, a aplicação do cuidado centrado na pessoa resulta nos seguintes pontos positivos:

  • Maior satisfação das pessoas e médicos;
  • Melhora na aderência aos tratamentos;
  • Redução de sintomas;
  • Redução de preocupações e ansiedade;
  • Diminuição na utilização dos serviços de saúde;
  • Diminuição das queixas por má-prática;
  • Melhora na saúde mental;
  • Melhora na situação fisiológica e na recuperação de problemas recorrentes.

O cuidado centrado na pessoa vem sendo aplicado por organizações que corroboram essa abordagem inovadora, defendida pela própria OMS. A Sociedade Brasileira de Gerontologia, por exemplo, defende o conceito e divulgou recentemente uma pesquisa feita pela American Geriatrics Society (AGS), em colaboração com a Universidade do Sul da Califórnia (USC). O estudo reforçou a importância do cuidado centrado na pessoa e estabeleceu diretrizes mais claras e bem definidas para os processos. Por fim, outra instituição que o apoia é o Sistema de Saúde do Reino Unido.

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Comments (2)

  • Raquel Luz Reply

    Acho fundamental esta mudança de consciência , com atenção no paciente ( pessoa em todas as suas dimensões , pois somos seres multimensionais) e não apenas na doença. Uma quebra de paradigma.

    24 de outubro de 2018 at 12:37
  • Flavio Barbosa Reply

    O cuidado centrado na pessoa ultrapassa a semiótica e a intensidade tecnológica. É sobre recuperar/manter a saúde de um ser humano com a máxima qualidade de vida possível a ele. É sobre considerar o corpo, a mente e o espírito de cada um.

    2 de novembro de 2018 at 13:16

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