A redução de realização de procedimentos desnecessários

A redução de realização de procedimentos desnecessários

Quando consultamos um profissional de saúde, podemos deixar o consultório com dúvidas sobre o diagnóstico e os procedimentos médicos solicitados. Isso ocorre porque, muitas vezes, o médico atende em apenas 15 minutos, não nos escuta e sequer olha em nossos olhos. Isso nos faz procurar uma segunda opinião e gastar tempo e dinheiro.

Em um momento de fragilidade e aflição, a indiferença do médico é um problema que nos deixa ainda mais ansiosos e preocupados. Por outro lado, quando recebemos informações claras e precisas sobre o que está acontecendo conosco, a tendência é nos tranquilizarmos.

Essas questões estão diretamente ligadas ao conceito de cuidado centrado na pessoa. Quando o paciente tem consciência e conhecimento da própria saúde, tem capacidade para criticar e agir. Além disso, leva informações importantes para o médico, o que automaticamente coloca o processo de tratamento em outro nível. Assim, o profissional se relaciona de igual para igual no sentido de importância à saúde da pessoa.

Como reduzir a realização de procedimentos e exames desnecessários

De acordo com artigo publicado na Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, “a população está exposta aos danos provocados por remédios ou tratamentos que deveriam curar, à realização de exames e cirurgias caros e desnecessários, e, muitas vezes, a tratamentos desumanos”.  No documento, José Mauro Ceratti Lopes trata da importância de colocar a pessoa no centro do cuidado na prática do médico de família. Afinal, a implementação de um método de abordagem que privilegie a pessoa e sua autonomia passa por fazer uma consulta que permita uma visão mais ampla.

Quando o profissional de saúde tem acesso ao histórico clínico do paciente, consegue tomar decisões mais precisas. Isso evita procedimentos médicos e exames desnecessários, o que é muito comum durante consultas periódicas. Muitos médicos acabam fazendo isso para checar se há algum problema de saúde com o paciente. Parte da população também usa o famoso “check-up” para liquidar preocupações sobre possíveis doenças ou sintomas. No entanto, é possível que acabem fazendo testes que não terão relação com o possível problema que apresentavam.

Boa parte desses check-ups são pacotes pré-definidos de acordo com o gênero e faixa etária. Por isso, são solicitados tantos exames desnecessários. Além disso, cada especialidade quer destaque para uma prevenção em particular. Por exemplo, os dermatologistas com o câncer de pele, os endocrinologistas com o câncer de tireoide, os cardiologistas com a hipertensão arterial, os cirurgiões cardíacos com o aneurisma de aorta e assim por diante. Para atender a todos esses apelos, precisaríamos passar o ano indo a consultas médicas.

Os exames de rotina devem ser indicados pelo médico a partir do histórico do paciente, de acordo com avaliação e acompanhamento periódico. O paciente deve conversar com um profissional de confiança e discutir sobre a real necessidade de realizar exames. Se for necessário, deve questionar quais são as indicações científicas para tal recomendação. Também é fundamental entender por que os testes estão sendo solicitados, como podem ajudá-lo e se há riscos envolvidos (incluindo falsos-positivos).

A boa relação médico-paciente é imprescindível para que todas as decisões sejam tomadas de comum acordo, evitando ansiedade desnecessária. Assim, evita-se custos efetivos sobre procedimentos desnecessários.

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